Mudança climática põe em risco 1 bilhão de crianças no mundo

Foto: IOM 2021/Triffin Ntore
Escola na província de Bujumbura, Burundi, completamente inundada pelas cheias

Unicef lança primeira análise compreensiva dos riscos climáticos sob a perspectiva dos menores de idade; crianças da Guiné-Bissau, Chade, Nigéria e República Centro-Africana têm possibilidade maior de ter saúde e educação ameaçadas; ativista sueca do clima, Greta Thunberg, foi uma das autoras do prefácio.

As crianças vivendo em países como Guiné-Bissau, Chade, Nigéria e República Centro-Africana têm mais risco de sofrer os impactos da mudança climática, que ameaçam sua saúde, educação e proteção. 

Esta é uma das conclusões de um estudo lançado pelo Unicef nesta sexta-feira. “A Crise Climática é uma Crise dos Direitos da Criança” é a primeira análise compreensiva desses riscos sob a perspectiva das crianças.

PMA/Abeer Etefa
Além dos conflitos, pandemia e mudança climática estão agravando situação de insegurança alimenta

Combinação fatal  

O Unicef avalia a situação de vários países, levando em conta  ciclones, ondas de calor e o acesso dos menores a serviços essenciais. Segundo a agência, cerca de 1 bilhão de crianças (quase metade do total de menores de idade no mundo) moram em uma das 33 nações classificadas de “risco extremamente alto”.  

Essas crianças estão expostas a “uma combinação fatal de choques ambientais e climáticos, com uma vulnerabilidade alta devido à falta de serviços de água e de saneamento, cuidados de saúde e acesso à educação.” 

ONU Mulheres/Mohammad Rakibul Hasan
As enchentes estão aumentando no mundo todo por conta da mudança climática

Direitos básicos sob risco  

A diretora-executiva do Unicef declarou que “pela primeira vez, existe uma noção completa de onde e como as crianças estão vulneráveis à mudança climática”. Henrietta Fore afirma que os direitos dos menores estão sob risco, já que ficam sem acesso à ar limpo, à água potável, à alimentação, à habitação e educação, além do risco de serem exploradas.”  

O relatório do Unicef traz também o Índice de Risco Climático das Crianças, que revela:  

  • 240 milhões de crianças estão altamente expostas à enchentes costeiras;  
  • 400 milhões estão altamente expostas a ciclones; 
  • 600 milhões de menores estão altamente expostos a doenças transmitidas por vetores;  
  • 815 milhões de crianças estão altamente expostas à poluição causada por chumbo;  
  • 820 milhões de crianças estão altamente expostas a ondas de calor;  
  • 920 milhões de crianças estão altamente expostas à escassez de água; 
  • 1 bilhão de crianças estão altamente expostas à grandes níveis de poluição do ar.  

Desigualdade entre emissões de gases e impactos  

O relatório revela também que os 33 países onde o risco para as crianças é alto, na verdade produzem apenas 9% das emissões globais de CO2.  

Por outro lado, 10 nações que mais emitem dióxido de carbono são responsáveis por 70% das emissões globais. Mas apenas em um desses países, os impactos da mudança climática são muito altos para as crianças.  

O Unicef lembra que na comparação com os adultos, as crianças têm menos chances de sobreviver a eventos extremos do clima e são mais suscetíveis a químicos tóxicos, a mudanças de temperatura e a doenças.  

Unicef/Radhika Chalasani
Ativista Greta Thunberg em demonstração em Nova Iorque em setembro de 2019

Apelo aos governos  

O Unicef está pedindo aos governos e empresas para aumentarem os investimentos da adaptação climática; para reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e para fornecerem às crianças educação sobre o clima, para que possam estar adaptadas e preparadas para os efeitos da mudança climática.  

O prefácio do relatório foi escrito pela organização Fridays for Future, representada pelos jovens ativistas Greta Thunberg (Suécia), Eric Njuguna (Quênia), Adriana Calderón (México) e Farzana Faruk Jhumu (Bangladesh).  

Fonte:ONUNEWS/RL33