Dakar2022: Líderes aguentam-se em terceira etapa histórica para Portugal

Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues Jr. (Hero) entrou hoje para a história do rali Dakar de todo-o-terreno, ao tornar-se o nono português a vencer uma etapa da prova, num dia em que os líderes das principais categorias se aguentaram no comando.

O piloto natural de Barcelos gastou 2:34.41 horas para completar o percurso na categoria das motas, que hoje foi reduzido de 368 a 255 quilómetros devido às fortes chuvas que assolam aquela região da Arábia Saudita, deixando o australiano Toby Price (KTM) no segundo lugar, a 1.13 minutos, e o estreante norte-americano Mason Klein (KTM) no terceiro, a 1.14.

O australiano Daniel Sanders (GasGas) esteve em animada luta com o piloto português, chegando a ter mais de um minuto de vantagem sobre Quim Rodrigues. Contudo, admitiu ter parado alguns minutos na parte final de forma a não ser o primeiro em pista na quarta-feira, lugar que, assim, caberá ao piloto da Hero. Acabou em quinto, a 2.55 de Rodrigues.

A última vitória lusa pertencia a Hélder Rodrigues na 12.ª etapa da edição de 2016, ano em que o malogrado Paulo Gonçalves, cunhado do vencedor de hoje, também conquistou uma tirada, a quarta.

Rui Gonçalves (Sherco) foi hoje 23.º, a 9.24 minutos, numa etapa que classificou de “extremamente rápida” e com “muitas dunas”. O português terminou imediatamente atrás do italiano Danilo Petrucci (KTM), que regressou à corrida apesar de uma forte penalização (mais de 11 horas) por não concluir a etapa da véspera.

“Neste momento, o mais importante é enfrentar cada dia, cada etapa, cada quilómetro de forma segura, sabendo, desde já, que as coisas estão a correr muito melhor”, frisou Rui Gonçalves, que se mostrou “orgulhoso” pelo triunfo do compatriota.

António Maio (Yamaha) foi 31.º, a 16.05 minutos do vencedor, enquanto Mário Patrão (KTM) foi 47.º, cedendo precisamente meia hora para ‘JRod’.

“A especial foi bastante rápida, com muita areia e algumas dunas bem divertidas e felizmente correu tudo bem”, disse o capitão da GNR.

Arcélio Couto (Honda) foi 80.º, Alexandre Azinhais (KTM) 86.º, Pedro Bianchi Prata 118.º e Paulo Oliveira 121.º

Na geral, o britânico Sam Sunderland (Honda) segurou o comando mas por apenas quatro segundos, depois de hoje ter sido apenas o 17.º mais rápido, a 7.30 minutos do vencedor.

O francês Adrien van Beveren (Yamaha) é o segundo, com o austríaco Mathias Walkner (KTM) em terceiro, a 1.30 minutos do piloto da Honda.

Com o triunfo de hoje, e com as classificações já finalizadas, Joaquim Rodrigues Jr. subiu um lugar na geral, para 17.º, a 37.43 minutos de Sunderland.

António Maio é 29.º, Rui Gonçalves 42.º, Alexandre Azinhais 72.º, Mário Patrão 79.º, Arcélio Couto 85.º, Pedro Bianchi Prata 90.º e Paulo Oliveira 97.º.

Nos automóveis, o dia também foi histórico, com o primeiro triunfo de um carro elétrico. Aconteceu pelas mãos do espanhol Carlos Sainz (Audi), que chegou, assim, à 40.ª vitória em etapas.

“Se me tivessem dito há um ano que isto ia acontecer, não teria acreditado. É um dos dias mais importantes da minha carreira”, disse ‘El Matador’, no final da especial.

O piloto do Audi RS Q e-tron concluiu a tirada em 2:26.51 horas, com 38 segundos de vantagem sobre o sul-africano Henk Lategan (Toyota) e 1.41 minutos sobre o francês Stéphane Peterhansel (Audi), noutro carro elétrico.

A Audi colocou ainda um terceiro carro entre os cinco mais rápidos, com o sueco Mathias Ëkstrom em quinto, a 2.59 minutos.

O piloto do Qatar Nasser Al-Attiyah (Toyota), líder à partida desta jornada, foi apenas oitavo, a 5.10 minutos do vencedor, mas ganhou novo fôlego rumo à vitória devido aos problemas sofridos pelo francês Sébastien Loeb (BRX).

O nove vezes campeão mundial de ralis viu a transmissão traseira do seu carro ceder apenas 10 quilómetros após a partida para a especial, percorrendo quase 250 quilómetros apenas com tração nas rodas da frente.

Loeb cedeu perto de meia-hora, mas segurou o segundo lugar da geral, a 37.40 de Al-Attiyah.

O argentino Lúcio Alvarez (Toyota) é terceiro, mas já a 42.06 minutos do líder enquanto Carlos Sainz subiu a 22.º depois dos problemas de navegação sofridos na etapa 1B.

Miguel Barbosa (Toyota) foi hoje 47.º, estando na 44.ª posição.

“Tenho estado doente ontem e hoje, com dores de cabeça e dores no corpo. Não tem sido fácil manter sempre a toada, mas também não sei se seria muito melhor se assim não fosse, porque não tem sido nada fácil. O andamento está muito forte e estamos um pouco verdes em algumas coisas”, admitiu o piloto de Lisboa.

Nos veículos ligeiros, Mário Franco (Yamaha) foi 11.º e está na sétima posição da geral, a 2:27.00 horas do líder, o chileno Francisco Lopez Contardo (EKS).

Nos SSV, Rui Oliveira (Can-Am) foi 29.º, num dia em que Luís Portela de Morais (Can-Am) foi apenas 39.º, a 59.26 minutos do vencedor, o polaco Marek Goczal (Can-Am).

O piloto português, que já foi campeão nacional de râguebi, partiu um tirante da suspensão “logo no início”, que lhe custou algum tempo.

Na quarta-feira disputa-se a quarta etapa da prova, entre Al Qaisumah e Riade, na Arábia Saudita.

É a especial mais longa desta edição, com 465 quilómetros cronometrados, compostos por uma secção de pistas rápidas de quase 200 quilómetros de comprimento, cadeias de dunas e, no final, um percurso rochoso.

Lusa/RL33