Guiné-Bissau quer reduzir 30% de emissões de gases com efeito de estufa até 2030

 O ministro do Ambiente da Guiné-Bissau, Viriato Cassamá, disse hoje que o país pretende reduzir em 30% as emissões de gases com efeitos de estufa produzidos pelos setores da floresta, agricultura e solos, energia e resíduos até 2030.

“Na nossa Contribuição Nacional Determinada elegemos três grandes setores como fontes de emissão de gases de efeito de estufa, o setor da agricultura, florestas e uso de solos, setor da energia e setor resíduos”, afirmou em entrevista à agência Lusa o ministro do Ambiente guineense.

A Contribuição Nacional Determinada (NDC, na sigla em inglês) identifica os esforços de cada país para reduzir as emissões nacionais de gases com efeito de estufa e para se adaptar aos impactos das alterações climáticas.

Segundo o ministro, a ambição é, até 2030, reduzir em 30% as emissões de gases com efeito de estufa com base no acesso a energias renováveis de grande dimensão produzidas pela Organização para a Valorização do rio Gâmbia, mas também com uma “modalidade de gestão sustentável das florestas”.

“Mais de 80% da energia doméstica da Guiné-Bissau depende das florestas com o uso de lenha e carvão. Se conseguirmos implementar todas estas ações e estratégias setoriais no âmbito da luta contra as alterações climáticas, o país irá conseguir reduzir as suas emissões em 30% até 2030”, salientou Viriato Cassamá.

A “ambição é grande”, mas, segundo o ministro, a Guiné-Bissau o país só “poderá com os seus esforços internos” reduzir até 10%, precisando de apoio internacional para os restantes 20%.

“É isso que chamamos da redução incondicional, precisamos do apoio internacional para investir nos setores que emitem gases com efeitos de estufa”, afirmou.

Apesar de a Guiné-Bissau ter uma emissão residual de gases de efeito de estufa, o ministro salienta que a responsabilidade é de todos para combater o aquecimento global.

“Todas as partes da convenção (Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas) têm responsabilidade pelo aquecimento global, mas a responsabilidade que a Guiné-Bissau tem não tem nada a ver com a responsabilidade da China”, afirmou.

“A emissão global de África ronda os 4%, na Guiné-Bissau é residual, mas temos de trabalhar com base na solidariedade. Isso quer dizer que todos nós somos obrigados a fazer um esforço comum para que a temperatura média global não ultrapasse os 1,5 graus centígrados até ao final do século. O esforço que cada país faz vai contribuir para atingirmos essa meta”, sublinhou o ministro do Ambiente guineense.

Salientando que o ambiente não tem fronteiras, Viriato Cassamá estimou que a crise climática em África venha a ser sentida nos países da Europa.

“Aliás é isso que tem estado a acontecer nos países subsaarianos, por causa da seca, da erosão, inundações e cheias, os jovens dos países subsaarianos têm estado a procurar melhor vida. É uma das razões dos emigrantes climáticos. Procuram a Europa para terem melhores condições de vida. Em parte, a crise climática é um dos responsáveis por este fenómeno da emigração forçada”, disse.

MSE //CFF

Lusa/RL33