Presidente do parlamento da Guiné-Bissau diz que problemas devem ser resolvidos à mesa

Presidente do parlamento da Guiné-Bissau diz que problemas devem ser resolvidos à mesa

 O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, afirmou hoje que os problemas do país devem ser resolvidos à mesa e não com violência, referindo-se à tentativa de golpe de Estado de 01 de fevereiro.

“É importante que o país viva em paz e estabilidade, se houver um problema devemos nos sentar à mesa, discutir francamente, de uma maneira profunda e responsável, e encontrar solução em vez de usarmos a violência”, afirmou Cipriano Cassamá.

O presidente da Assembleia Nacional Popular, que esteve vários meses ausente do país, falava aos jornalistas após um encontro com o chefe de Estado, Umaro Sissoco Embalo, a quem foi prestar solidariedade pelos acontecimentos de 01 de fevereiro e falar sobre assuntos relacionados com a Guiné-Bissau.

“Nós enquanto poder legislativo não podemos compactuar com a subversão da ordem constitucional. O parlamento condena e eu pessoalmente condeno. Não podemos compactuar com tentativas de golpe de Estado e perturbação da ordem constitucional”, sublinhou.

Segundo Cipriano Cassamá, o país precisa de ser “resgato” de todos os erros que todos fizeram.

“Temos de assumir isso e deixar que as instituições da República funcionem e eu penso que as instituições da República devem funcionar”, sublinhou.

O presidente do parlamento disse também que informou o chefe de Estado que a sessão do parlamento vai ter início a 10 de maio e decorrer até dia 20 do mesmo mês, retomando depois em junho.

No encontro, em que também participou o primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, foram abordados outros assuntos sobre a situação do país e o aumento dos preços, disse Cipriano Cassamá.

“O Governo vai fazer tudo para encontrar uma solução para diminuir os custos”, acrescentou.

A 01 de fevereiro homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

O Presidente considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá também estar ligada a “gente relacionada com o tráfico de droga”.

As autoridades detiveram cerca de 60 pessoas, segundo dados da Liga Guineense dos Direitos Humanos.

Na sequência dos acontecimentos, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) anunciou o envio de uma força de apoio à estabilização do país.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.

Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afetaram o desenvolvimento do país.

MSE //RBF-Lusa – RL33