Secretário-geral da ONU defende urgência de resposta internacional para Myanmar

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pede uma “resposta internacional” urgente para a crise política desencadeada em Myanmar pelo golpe de Estado militar de 01 de fevereiro, num relatório recente hoje divulgado pelas Nações Unidas.

No documento sobre “a situação dos direitos humanos dos muçulmanos rohingyas e de outras minorias em Myanmar”, o dirigente da ONU afirma também temer que o poder dos militares se torne cada vez mais difícil de travar.

“É urgente organizar uma resposta internacional e regional unificada para ajudar a recolocar Myanmar na via da reforma democrática”, sublinha Guterres no documento datado de 31 de agosto. Nenhuma explicação foi avançada pela ONU sobre o longo atraso ocorrido até à sua divulgação.

Para a Assembleia-Geral anual da ONU, cuja semana de participações ao mais alto nível terminou na segunda-feira, os Estados Unidos, a Rússia e a China concluíram um acordo para impedir Myanmar de falar na prestigiada tribuna das Nações Unidas, revelou um diplomata, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

O embaixador nomeado em maio pela junta militar de Myanmar ainda não foi acreditado pela ONU, cuja Assembleia-Geral aprovou no fim de junho uma resolução não-vinculativa rara a condenar o golpe de Estado.

O texto foi aprovado por 119 países, 36 – entre os quais, a China – abstiveram-se e um – a Bielorrússia – votou contra.

Enquanto se espera que a Assembleia-Geral decida sobre a representação de Myanmar, o embaixador birmanês Kyaw Moe Tun, nomeado pela ex-dirigente civil Aung San Suu Kyi, mantém o lugar do seu país na ONU.

O esforço internacional “deve ser acompanhado da libertação imediata do Presidente Win Myint, de Aung San Suu Kyi e de outros representantes do Estado”, expressa António Guterres no seu relatório.

Deverá igualmente haver “um acesso e uma ajuda humanitária imediatos, em particular para as comunidades vulneráveis, entre as quais os muçulmanos rohingyas, muitos dos quais vivem no exílio no Bangladesh e noutros países”, acrescenta.

Hoje, o líder rohingya Mohammad Mohibullah, principal representante desta comunidade nos campos de refugiados de Cox’s Bazar, no sul do Bangladesh, foi morto a tiro por um grupo de agressores não-identificados, segundo fontes policiais.

Segundo o líder da ONU, “poderá tornar-se cada vez mais difícil impedir os militares de consolidarem o seu poder”, quando o que “é importante é apoiar as aspirações democráticas do povo da Birmânia”.

Myanmar está mergulhado em violência desde o golpe de Estado militar de 01 de fevereiro, que pôs fim a um parêntesis democrático de 10 anos.

A repressão militar dos opositores é sangrenta, com mais de 1.100 civis mortos e 8.400 encarcerados, segundo uma organização não-governamental (ONG) local, a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP).

ANC //RBF

Lusa/RL33